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pinturas que tiram da zona de conforto


Nascida em Sobradinho em 1985, Juliane Mai cresceu em Lagoão e teve a arte como companhia constante. Aos três anos, os pais tinham uma padaria, onde ela adorava pegar os papéis do balcão para desenhar e sempre caprichava nos detalhes. O pai a incentivou a continuar desenhando e fazer muitos cursos e a mãe pintava panos de prato e camisetas e serviu de inspiração.

Hoje aos 38 anos, e trabalhando profissionalmente com arte desde 2002, ela reúne um currículo extenso: com exposições individuais e mais de 70 coletivas, participou de publicações nacionais e internacionais, recebendo diversas premiações, além de ter feito a curadoria de diversas exposições de outros artistas.

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Eu nunca deixei de pintar, eu sabia que eu ia ser artista plástica. Fui desviando com o tempo, eu era modelo e estava com contratos para trabalhar no exterior, mas não queria ir. Rasguei os contratos e fui fazer vestibular”, lembra. A artista visual é formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), onde integrou o programa Uniarte com a pintora Márcia Marostega.

Juliane passou alguns anos residindo em São Paulo, onde foi trabalhar como designer gráfica, mas acabou retornando ao mundo da arte e estudando curadoria de arte e produção cultural, além de se inserir na cena paulista. 

Em 2020, um tumor no cérebro a trouxe de volta para Santa Cruz do Sul para fazer o tratamento e desde então ela tem se dedicado a agitar o cenário local de artes visuais. Ajudou a fundar o  Move Coletivo Cultural e atua também na assessoria e consultoria para artistas visuais de 28 países além do Brasil.

Inspirada na obra de Vincent Van Gogh e na pintora expressionista sueca Hilma af Klint, Juliane Mai não usa cavaletes para pintar e acredita que sua obra é espiritualizada. “Toda vez que vou pintar faço uma oração, peço que aquela pintura faça bem para alguém, peço proteção divina”, relata. Como artista expressionista abstrata, ela pinta o que sente, não a realidade como a vemos. Ela costuma utilizar tinta acrílica com pincel ou caneta e explora diversas texturas como MDF, tela, experimentando com novos materiais. A recente Série Colecionáveis, por exemplo, é feita sobre filtros de café.

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Sobre suas obras, Juliane comenta que a lógica delas é que não estão prontas. “O cérebro é condicionado a sair da zona de conforto para tentar entendê-las. Porque é programado para, automaticamente, buscar uma figura conhecida, um símbolo que esteja gravado no subconsciente. É assim que as interpretações começam a surgir, na tentativa de encaixar tudo na racionalidade”, explica. “O mais interessante nesse processo é que cada ser humano tem uma vivência diferente, e mesmo que os padrões simbólicos sejam iguais, o resultado é uma interpretação particularmente especial para cada um”, completa.

Para ela, o objetivo é que o espectador se sinta parte da pintura, e mesmo que não consiga explicar, possa sentir. “Isso funciona como um jogo, um labirinto que tira a pessoa do cotidiano automático e permite que ela crie, sinta, respire diferente, que ela complete o quebra-cabeças”, esclarece. 

As obras da pintora levam dias, semanas e até meses para serem concluídas e usam arabescos, desenhos e formas, além de números, que estão presentes em sua série mais recente, como a tela Somos Todos Um, encomendada para uma exposição internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a desigualdade de gênero. O trabalho de Juliane está no mercado emergente de arte, à venda em galerias em Porto Alegre, São Paulo, na Suíça, Portugal, Estados Unidos e Canadá.

O próximo projeto de Juliane Mai é a curadoria da exposição Terra Chama, de Magui Kampf, que inicia em março na Casa das Artes Regina Simonis. A curadora também já organiza outros projetos para o ano e promete que 2024 será de agenda cheia.

Para conhecer mais sobre a artista, o portfólio artístico dela está disponível online através do Instagram, pela conta @julianemaiarts, e também pela @julianemaicura, que reúne as curadorias de exposições feitas por ela. 

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